Simples Nacional na reforma tributária: vale a pena continuar no regime?

Pensive Cafe Owner Reading Going Through Paperwork Reading Reports After Working Hours 11zon 11zon - ERJ Assessoria Contábil e Tributaria

A reforma tributária não acaba com o Simples Nacional. No entanto, isso não significa que permanecer no regime continuará sendo a melhor escolha para todas as empresas.

Com a implantação do IBS e da CBS, a decisão deixa de envolver apenas a alíquota paga no Documento de Arrecadação do Simples Nacional, o DAS. O perfil dos clientes, a geração de créditos tributários e a posição da empresa na cadeia comercial também ganham importância.

Em alguns casos, continuar recolhendo todos os tributos dentro do Simples pode preservar a simplicidade e manter uma carga competitiva. Em outros, recolher IBS e CBS pelo regime regular pode ser mais estratégico.

Por isso, a resposta para a pergunta “vale a pena continuar no Simples Nacional?” dependerá de uma análise individual da operação.

 

O Simples Nacional vai acabar com a reforma tributária?

Não. O Simples Nacional foi preservado pela reforma tributária e continuará oferecendo um tratamento diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte.

As empresas que atenderem aos critérios do regime poderão continuar recolhendo tributos de forma unificada. A reforma não determina uma migração obrigatória para o Lucro Presumido ou para o Lucro Real.

O que muda é a forma como os novos tributos sobre o consumo se relacionam com o Simples Nacional.

O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, substituirá gradualmente o ICMS e o ISS. Já a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, substituirá o PIS e a Cofins. A transição ocorrerá em etapas, e os novos tributos passarão a fazer parte da realidade das empresas optantes pelo regime.

Assim, a questão principal não é se o Simples continuará existindo. O ponto é entender qual forma de recolhimento será mais adequada para cada empresa.

O que muda no Simples Nacional com a reforma tributária?

A principal mudança está na possibilidade de escolher como IBS e CBS serão apurados.

A empresa poderá continuar recolhendo esses tributos dentro do Simples Nacional ou optar pelo regime regular de IBS e CBS. Nesse segundo modelo, ela permanece no Simples para os demais tributos, mas apura os novos impostos separadamente.

Essa alternativa cria uma espécie de modelo híbrido. A empresa não abandona necessariamente o Simples Nacional, mas passa a operar pelas regras gerais de débito e crédito em relação ao IBS e à CBS.

A legislação já prevê que os optantes pelo Simples poderão escolher a apuração regular da CBS. As regras do Comitê Gestor também disciplinam a opção pelo regime regular de IBS e CBS.

Na prática, as empresas terão dois caminhos principais:

  • recolher IBS e CBS dentro do DAS;
  • recolher IBS e CBS separadamente pelo regime regular.

A escolha pode alterar a carga tributária, a complexidade operacional e a quantidade de crédito transferida aos clientes.

Como funcionarão IBS e CBS dentro do Simples Nacional?

Ao manter IBS e CBS no regime unificado, a empresa continuará concentrando o recolhimento dos tributos no DAS.

Esse caminho tende a preservar uma das principais vantagens do Simples Nacional: a simplificação administrativa. A empresa evita uma apuração independente dos novos tributos e mantém uma rotina fiscal mais enxuta.

Por outro lado, existe uma diferença importante em relação aos créditos tributários.

No novo modelo de tributação sobre o consumo, as empresas que compram bens e serviços podem utilizar os tributos pagos nas etapas anteriores como créditos. Esse mecanismo reduz a tributação acumulada ao longo da cadeia.

Quando o fornecedor está no Simples Nacional e recolhe IBS e CBS dentro do regime, o crédito gerado para o comprador tende a ficar limitado ao montante correspondente aos tributos efetivamente recolhidos na operação.

Isso pode influenciar a decisão de compra de clientes empresariais, principalmente aqueles sujeitos ao regime regular.

Como funciona o recolhimento de IBS e CBS por fora do Simples?

A empresa também poderá permanecer no Simples Nacional e escolher o regime regular de IBS e CBS.

Nesse caso, as parcelas referentes aos novos tributos deixam de ser recolhidas dentro do DAS. A empresa passa a calcular débitos e créditos de IBS e CBS separadamente.

Ela poderá aproveitar créditos relativos às aquisições permitidas pela legislação e gerar créditos conforme as regras do regime regular para os compradores.

Esse modelo pode ser relevante para empresas que vendem para outras empresas e participam de cadeias nas quais o crédito tributário influencia a escolha dos fornecedores.

A contrapartida é o aumento da complexidade.

A empresa precisará manter controles mais detalhados, acompanhar os créditos das compras, validar documentos fiscais e calcular os tributos devidos em cada período.

Também poderá ser necessário adaptar sistemas, cadastros, contratos, rotinas contábeis e processos de emissão de notas fiscais.

Portanto, recolher IBS e CBS por fora não é automaticamente melhor. A vantagem financeira precisa superar os custos operacionais e os riscos adicionais.

Quando continuar no Simples Nacional pode valer a pena?

O Simples Nacional poderá continuar sendo vantajoso para muitas empresas.

Isso tende a ocorrer, por exemplo, em negócios voltados principalmente ao consumidor final. Como pessoas físicas não costumam utilizar créditos tributários nas compras, a limitação do crédito transferido pelo fornecedor tem menor peso comercial.

Alguns cenários que podem favorecer a permanência no modelo unificado incluem:

  • vendas predominantemente para pessoas físicas;
  • baixo volume de clientes empresariais;
  • poucas compras que gerariam créditos relevantes;
  • estrutura administrativa reduzida;
  • margens adequadas à alíquota efetiva do Simples;
  • pouca pressão comercial pela transferência de créditos;
  • custo elevado para implementar uma apuração separada.

Imagine uma empresa de serviços que atende principalmente consumidores finais. Ela possui poucos insumos tributados e uma equipe administrativa enxuta.

Nesse caso, a simplicidade do DAS pode continuar compensando, mesmo que o regime regular permita uma sistemática mais ampla de créditos.

A decisão dependerá do equilíbrio entre carga tributária, simplicidade e competitividade.

Quando o Simples Nacional pode perder competitividade?

O ponto mais sensível pode surgir nas empresas que vendem para outras empresas.

Clientes enquadrados no regime regular geralmente avaliam não apenas o preço cobrado pelo fornecedor, mas também o crédito tributário que poderão aproveitar.

Se dois fornecedores cobrarem valores semelhantes, mas um deles gerar um crédito maior de IBS e CBS, o custo líquido da compra poderá ser menor com esse fornecedor.

Isso pode colocar algumas empresas do Simples em desvantagem comercial.

O risco tende a ser maior quando:

  • a maior parte da receita vem de vendas B2B;
  • os principais clientes estão no Lucro Real ou no Lucro Presumido;
  • os compradores utilizam créditos em grande escala;
  • a empresa fornece insumos para outras etapas produtivas;
  • os concorrentes estão no regime regular;
  • os contratos são negociados com base no custo líquido;
  • os clientes pressionam os fornecedores por maior aproveitamento de créditos.

Uma empresa pode pagar menos tributos diretamente e, ainda assim, tornar-se menos atraente para seus clientes.

Esse é um dos motivos pelos quais a decisão não deve considerar apenas a alíquota efetiva do Simples Nacional.

Vender para empresas do Lucro Real ficará mais difícil?

Não existe uma regra que impeça empresas do Simples de vender para companhias do Lucro Real.

O que pode acontecer é uma mudança no comportamento comercial dos compradores.

Empresas do Lucro Real costumam acompanhar de perto os créditos tributários gerados por suas compras. Caso um fornecedor gere menos crédito, o comprador poderá considerar que aquela aquisição possui um custo líquido maior.

A empresa do Simples poderá precisar rever preços, condições comerciais ou a própria forma de apuração do IBS e da CBS para manter a competitividade.

Entretanto, esse impacto não será igual em todos os setores.

Qualidade, prazo, localização, especialização, relacionamento e capacidade de entrega continuam influenciando a escolha do fornecedor. O crédito tributário será mais um elemento da negociação, não necessariamente o único.

Esse tema exige uma análise específica da cadeia comercial e será aprofundado no conteúdo sobre crédito tributário nas vendas para empresas do Lucro Real.

É possível continuar no Simples e recolher IBS e CBS por fora?

Sim. Essa é uma das alternativas mais relevantes trazidas pela nova estrutura tributária.

A empresa poderá manter o enquadramento no Simples Nacional para os demais tributos e optar pela apuração regular do IBS e da CBS.

Para o primeiro semestre de 2027, o Comitê Gestor definiu setembro de 2026 como período para determinadas opções relacionadas ao Simples Nacional e ao regime regular dos novos tributos. A escolha realizada nesse período terá validade entre janeiro e junho de 2027.

Como o cronograma pode receber novas regulamentações, a empresa deve acompanhar as normas publicadas e verificar os prazos aplicáveis ao seu caso.

Deixar essa análise para o último momento pode comprometer a qualidade da decisão.

O que avaliar antes de permanecer no Simples Nacional?

A escolha precisa ser baseada em dados reais da empresa. Simulações genéricas podem produzir conclusões equivocadas.

Alguns fatores devem ser avaliados com atenção.

Perfil dos clientes

O primeiro passo é identificar quem compra da empresa.

Qual porcentagem do faturamento vem de pessoas físicas? Quanto vem de pessoas jurídicas? Quais são os regimes tributários dos principais clientes?

Quanto maior a participação de vendas B2B, maior pode ser a importância do crédito tributário.

Volume de créditos nas compras

A empresa precisa analisar quanto IBS e CBS estarão presentes em suas aquisições.

Negócios com muitas compras tributadas podem se beneficiar de uma apuração regular, pois conseguem aproveitar créditos em maior escala.

Já empresas com poucos insumos ou despesas creditáveis podem obter um benefício menor.

Crédito gerado para os clientes

Também é necessário calcular o crédito que o cliente poderá aproveitar em cada cenário.

Essa informação ajuda a entender se permanecer no modelo unificado pode provocar perda de competitividade.

Margem de lucro

A margem deve suportar eventuais alterações de carga tributária, preço e custo operacional.

Uma empresa com margem reduzida pode não conseguir absorver um aumento de tributos ou conceder descontos para compensar um crédito menor.

Estrutura administrativa

Apurar IBS e CBS pelo regime regular exige processos mais robustos.

A empresa precisa avaliar se possui equipe, sistema, controles e suporte especializado para administrar a nova rotina.

Setor de atuação

O impacto varia conforme o segmento.

Empresas que vendem insumos, mercadorias ou serviços utilizados por outros negócios podem sentir mais intensamente os efeitos do crédito.

Já operações voltadas ao consumidor final podem ter uma dinâmica diferente.

Fluxo de caixa

A análise também precisa considerar quando os tributos serão pagos e quando os créditos poderão ser aproveitados.

Mesmo uma opção economicamente vantajosa pode causar dificuldades caso aumente a pressão sobre o caixa.

Como comparar as opções disponíveis?

A empresa deve construir pelo menos três cenários.

Cenário Pontos que devem ser avaliados
Simples com IBS e CBS dentro do DAS Carga total, crédito gerado ao comprador, simplicidade e custos administrativos
Simples com IBS e CBS no regime regular Débitos, créditos, saldo a pagar, obrigações fiscais e impacto comercial
Migração para outro regime IBS, CBS, IRPJ, CSLL, folha, margem, créditos e custos de conformidade

A comparação não deve terminar no valor mensal dos tributos.

Também é necessário incluir:

  • preço líquido para o cliente;
  • créditos recebidos nas compras;
  • créditos transferidos nas vendas;
  • efeito sobre a margem;
  • despesas com sistemas e controles;
  • custo da equipe fiscal e contábil;
  • impacto no fluxo de caixa;
  • possibilidade de perda de contratos;
  • riscos de erro e autuação.

Uma diferença pequena de carga tributária pode não justificar uma operação muito mais complexa.

Da mesma forma, uma economia aparente no DAS pode perder relevância caso a empresa deixe de ser competitiva nas vendas.

Sair completamente do Simples pode compensar?

Em alguns casos, sim. No entanto, a migração não deve ser tratada como consequência automática da reforma.

Sair do Simples significa alterar não apenas o recolhimento de IBS e CBS. A empresa também precisa avaliar os efeitos sobre IRPJ, CSLL, contribuições previdenciárias e demais obrigações.

Por isso, é importante separar duas decisões:

  1. optar pelo regime regular somente para IBS e CBS;
  2. abandonar completamente o Simples Nacional.

A primeira opção permite manter parte da estrutura simplificada. A segunda muda todo o regime tributário da empresa.

Uma simulação completa deve comparar os dois caminhos antes de recomendar qualquer migração.

O que muda em 2026 para as empresas do Simples?

O ano de 2026 funciona como uma etapa de adaptação e testes da reforma tributária.

Para os contribuintes do regime regular, documentos fiscais eletrônicos passam por ajustes para incluir os campos de IBS e CBS. Entretanto, as empresas optantes pelo Simples Nacional permanecem sem alterações materiais no recolhimento durante 2026 e passarão a destacar os novos tributos em seus documentos a partir de 2027.

Isso não significa que as empresas do Simples devam esperar até 2027 para agir.

Durante a preparação, será necessário:

  • revisar cadastros de produtos e serviços;
  • mapear fornecedores;
  • identificar o regime dos clientes;
  • avaliar contratos;
  • atualizar sistemas;
  • preparar a emissão de documentos fiscais;
  • treinar as equipes;
  • simular os modelos de apuração.

Quanto antes esses dados forem organizados, mais confiável será a escolha.

Afinal, vale a pena continuar no Simples Nacional?

Para muitas empresas, sim.

Negócios voltados ao consumidor final, com poucos créditos nas compras e uma estrutura administrativa pequena, podem continuar encontrando no Simples uma combinação vantajosa de carga tributária e facilidade operacional.

Para empresas com vendas B2B relevantes, a resposta exige mais cuidado.

Nesses casos, a capacidade de gerar créditos para os compradores pode afetar preços, contratos e competitividade. A empresa precisará comparar o recolhimento dentro do DAS com a opção pelo regime regular de IBS e CBS.

Também pode ser necessário avaliar uma migração completa para outro regime.

Portanto, a melhor escolha não será definida apenas pelo faturamento ou pela alíquota atual.

Será preciso considerar toda a operação: clientes, fornecedores, créditos, margem, custos administrativos, fluxo de caixa e estratégia comercial.

Prepare sua empresa antes de escolher

A reforma tributária muda mais do que os tributos incluídos no DAS. Ela pode afetar a formação de preços, o aproveitamento de créditos e a posição competitiva da empresa.

Permanecer automaticamente no mesmo modelo, sem analisar os novos cenários, pode gerar custos ou perdas comerciais que não aparecem em uma comparação superficial.

A ERJ pode ajudar sua empresa a simular as alternativas, identificar os impactos do IBS e da CBS e avaliar se o Simples Nacional continuará sendo a opção mais adequada para a operação.

Quero falar com um especialista!

FAQ: perguntas frequentes sobre o tema

O Simples Nacional vai acabar com a reforma tributária?

Não. O regime continuará existindo, mas terá novas regras relacionadas ao recolhimento do IBS e da CBS.

Empresas do Simples pagarão IBS e CBS?

Sim. Os novos tributos poderão ser recolhidos dentro do Simples Nacional ou, mediante opção, pelo regime regular.

Vale a pena continuar no Simples Nacional?

Depende do perfil da empresa, dos clientes, dos créditos tributários, da margem e dos custos administrativos envolvidos.

É possível recolher IBS e CBS fora do DAS?

Sim. A empresa poderá permanecer no Simples e optar pela apuração regular do IBS e da CBS.

A reforma pode afetar as vendas para empresas?

Sim. Clientes empresariais podem priorizar fornecedores que gerem mais créditos tributários em suas compras.

5/5 - (1 voto)
Summary
Simples Nacional na reforma tributária: vale a pena continuar no regime?
Article Name
Simples Nacional na reforma tributária: vale a pena continuar no regime?
Description
A reforma tributária não acaba com o Simples Nacional. No entanto, isso não significa que permanecer no regime continuará sendo a melhor escolha para todas as empresas.
Author
Publisher Name
EJPL SERVICOS ( ERJ )
Publisher Logo

Abra sua Empresa com a ERJ!

Clique no botão abaixo e fale com um dos nossos consultores ainda hoje.

Logo Erjaccount Vertical Negativo - ERJ Assessoria Contábil e Tributaria

Sobre nós

A ERJ é uma empresa contábil e tributária formada por profissionais altamente qualificados e com expertise em consultoria e auditoria, que atende às necessidades da sua empresa de maneira rápida, transparente e de acordo com a sua particularidade.

Entre em contato

Precisa de uma contabilidade que entende do seu negócio ?

Encontrou! clique no botão abaixo e fale conosco!

Cta Post.png - ERJ Assessoria Contábil e Tributaria

Compartilhe nas redes:

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Veja também

Posts Relacionados

Recomendado só para você
PIS e Cofins vão acabar: o que isso significa para…
Cresta Posts Box by CP